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Construtoras responsabilizam a Câmara de Braga pela degradação das ancoragens do estádio

Três homens analisam plantas na bancada de um estádio de futebol junto a uma rocha com arte urbana.
Neste artigo
  1. Parecer positivo sobre as ancoragens do estádio de Braga
  2. Município admite venda ou concessão
  3. Saber mais

Quatro das sete construtoras do consórcio que ergueu, em 2003, o estádio de Braga para o Euro 2004 contestaram a ação apresentada pelo Município no Tribunal Administrativo do Porto. A autarquia quer que as empresas paguem a reparação das 546 ancoragens que suportam a bancada poente e a cobertura. Na sua defesa, as construtoras afirmam que a garantia tinha um prazo de cinco anos e que a Câmara de Braga não evitou a corrosão depois da entrega da obra, como deveria ter feito. Em tribunal, atribuem à autarquia a responsabilidade pela degradação.

O Município não indica o valor dos custos na ação, mas fontes do setor da construção disseram ao JN que a reparação poderá atingir 20 milhões de euros. As empresas ABB-Alexandre Barbosa Borges, SA, e Casais, Engenharia & Construção, SA sublinham que a colocação das ancoragens ficou a cargo da DST-Domingos da Silva Teixeira, SA. As três empresas são de Braga. A ABB requer ainda o direito de regresso caso seja condenada, para que o encargo seja suportado pela DST.

A petição da Câmara foi iniciada pelo antigo presidente Ricardo Rio, mas a decisão de avançar coube ao seu sucessor, João Rodrigues. A ação dirige-se às empresas do consórcio ASSOC: Casais, Elevolution-Engenharia, Rodrigues & Névoa 2, DST, ABB, J. Gomes-Sociedade de Construções do Cávado, já insolvente, e Sociedade de Construções da África Austral, antiga Soares da Costa.

Representada pelo advogado Nuno Albuquerque, a autarquia pretende que as empresas “substituam as ancoragens [são, grosso modo, uma espécie de pernos agarrados à rocha onde se seguram os cabos de sustentação da estrutura] ou suportem os custos de reposição da segurança estrutural, incluindo inspeções, monitorização, vigilância e intervenções técnicas necessárias”.

A antiga Soares da Costa também contestou a ação. Argumenta que a sua insolvência foi decretada em 2023 e que o Município de Braga não reclamou então qualquer crédito, pelo que o prazo para o fazer já terminou.

Parecer positivo sobre as ancoragens do estádio de Braga

Na resposta apresentada, a DST alega, em síntese, que a Câmara deu parecer favorável, durante o concurso, aos materiais escolhidos para as ancoragens, incluindo o aço. Acrescenta que o estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), no qual assenta a ação, analisou três ancoragens, não permitindo concluir que as 546 apresentam problemas de corrosão.

A construtora realça que o Município assumiu e executou, em 2014, a retirada e substituição das ancoragens inativas então identificadas, assumindo assim a responsabilidade pela sua degradação. Questiona também o relatório municipal que refere a deteção, no ano passado, de mais 14 estruturas com problemas.

“A narrativa, apresentada pelo Município, omite totalmente o sucedido durante um período de cerca de 10 anos, pois descreve anomalias detetadas em 2010, 2011, 2012 e 2015, mas não faz qualquer menção ao período compreendido entre final de 2015 e julho de 2025, limitando-se a juntar um relatório de inspeção de julho de 2025, onde se indica a existência de fraturas em 14 ancoragens”, acentua a empresa.

A DST pede, por isso, ao juiz que a absolva, assim como aos restantes réus. Sublinha que o estádio do Braga foi recebido em definitivo e que a garantia da empreitada já expirou. As empresas insistem, nesse sentido, que “o exercício dos alegados direitos” que o Município de Braga pretende fazer valer é “ilegítimo”.

Município admite venda ou concessão

O Município prepara negociações com o Sporting Clube de Braga para vender ou concessionar, por um período longo, o Estádio da Pedreira, construído em 2004. Numa reunião camarária recente, o presidente João Rodrigues adiantou que a receita do negócio para os cofres municipais será aplicada na requalificação do Estádio 1.º de Maio, erguido na década de 50 do século passado e com fortes sinais de degradação.

“O acordo pode passar pela venda ou pela concessão, por exemplo, por 100 anos, mas com uma compensação financeira”, disse.

O tema foi abordado depois de os dois presidentes, João Rodrigues e António Salvador, regressarem, em setembro, de uma viagem ao Canadá. Mais recentemente, o dirigente desportivo anunciou que o clube pretende investir 50 milhões de euros na modernização da estrutura.

Saber mais

Universidade do Porto acompanha situação

Os defeitos encontrados nas ancoragens da bancada poente poderão pôr em causa a estabilidade e a segurança do estádio. O alerta foi lançado em 2018 pelo então presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, que garantiu que um laboratório da Universidade do Porto estava a monitorizar a situação. O diferendo com as construtoras prolonga-se desde essa altura.

Sporting de Braga propôs regresso

O Sporting de Braga apresentou à Câmara bracarense um projeto para voltar ao antigo campo, o Estádio 1.º de Maio, com uma proposta de remodelação de 60 milhões de euros. A autarquia rejeita a ideia.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

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