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Renault 8 Gordini Concept: o regresso que tem de acontecer

Carro desportivo azul Renault R8 Gordini com faróis amarelos e faixas brancas, em ambiente interior moderno.
Neste artigo
  1. Dos ralis à Fórmula 1
  2. Nasce o 8 Gordini
  3. Teste dos limites do estilo… ou algo mais?
  4. Viagem ao passado

Desde 2011 que a Renault não desenvolve uma versão Gordini para os seus automóveis de estrada. As duas últimas foram criadas a partir do Clio e do Twingo, naquele ano e no anterior, respetivamente.

Agora, a marca revela o 8 Gordini Concept para avaliar o impacto que poderia ter numa nova geração de condutores, responsável pelo êxito comercial do Renault 5 elétrico de estética retro.

Conhecemo-lo antecipadamente em Paris, antes da sua apresentação no salão da capital francesa, em outubro, e só há uma coisa a dizer: Renault, isto tem de acontecer!

Dos ralis à Fórmula 1

Em 1946, o italiano Amedeo Gordini - mais tarde naturalizado francês como Amédée Gordini - fundou a marca que adotou o seu nome. Era um entusiasta da preparação de motores e chassis, bem como da criação de estilos exteriores mais desportivos.

Foi um dos primeiros preparadores de sucesso na Europa. Já tinha participado em diversos projetos durante as décadas de 30 e 40, sobretudo ao lado da Simca nos ralis, uma marca que então pertencia à Fiat.

No início dos anos 50, as perspetivas comerciais das duas partes começaram a afastar-se. Gordini separou-se da Simca e concentrou-se inteiramente na entrada no então exclusivo universo da Fórmula 1. Fê-lo em 1951, mas, em 1956, a Gordini foi obrigada a retirar-se por não dispor de capacidade financeira para competir com Mercedes, Maserati ou Ferrari.

Durante a segunda metade dos anos 50, os projetos com a Renault multiplicaram-se, destinados tanto à estrada como às classificativas de rali e aos circuitos. O programa de competição em pista ganhou força com a preparação de motores para as 24 Horas de Le Mans, entre 1962 e 1966, enquanto os modelos 8, 12 e 17 intervencionados por Gordini conquistavam notoriedade nos ralis das décadas de 60 e 70.

O 8 Gordini, abordado em maior detalhe mais adiante, serviu de carro de “escola de pilotagem” para uma geração de pilotos de grande talento, entre os quais o lendário francês Jean Ragnotti.

Foi também neste período de colaboração mais intensa que surgiu o primeiro Renault-Gordini de estrada: o Dauphine Gordini, lançado em 1957 e baseado no Dauphine “standard”. O aumento de potência era, neste caso, modesto - de 32 para 38 cv -, mas o automóvel apresentava uma imagem mais agressiva e pretendia aproximar os circuitos de velocidade das estradas públicas.

Nasce o 8 Gordini

O passo seguinte foi o 8 Gordini, uma berlina lançada em 1964 com motor de quatro cilindros e 1108 cm³. A versão “standard” dispunha de apenas 50 cv, mas “o feiticeiro”, como Gordini era conhecido, quase duplicou a potência máxima para 95 cv, graças a um sistema de alimentação com carburador duplo. Mais tarde, em 1966, elevou ainda a cilindrada para 1255 cm³ e a potência para 110 cv.

Este tornou-se o segundo modelo mais célebre da Gordini, depois do Dauphine, e ajudou a tornar conhecida em todo o mundo a tonalidade “Azul de França”, posteriormente também chamada Azul Gordini. As duas faixas brancas que percorriam a frente, o tejadilho e a tampa da mala foram igualmente uma das suas imagens de marca. Produzido entre 1964 e 1970, alcançou um sucesso comercial superior ao dos posteriores 12 e 17, ambos lançados nos anos 70.

Entretanto, Amédée Gordini começava já a afastar-se da atividade empresarial. Em 1968, vendeu 70% do capital da empresa à Renault, ano em que acabaria por se reformar. A Renault compraria a Gordini na totalidade em 1977, apenas dois anos antes da morte do fundador, em 1979.

Teste dos limites do estilo… ou algo mais?

Por enquanto, a marca francesa responde com um “nim” à questão de saber se este protótipo poderá originar um automóvel de produção em série. A concretizar-se, deverá provavelmente contar com pelo menos quatro lugares, em vez dos dois disponíveis neste protótipo.

Uma parte importante do seu apelo vem do desenho retro, uma fórmula que habitualmente tem boa aceitação no mercado, como demonstraram modelos como o Fiat 500 e o mais recente R5 E-Tech, que já testámos.

Neste projeto, a Renault teve uma ampla seleção à disposição. Depois de lançar um concurso interno nos seus centros de design, recebeu cerca de 300 propostas. Duas foram escolhidas para serem construídas à escala 2:5, correspondente a 40% das dimensões reais, facilitando a decisão sobre o projeto vencedor: o Gordini 8 Concept.

Sobressai a traseira vertical, de perfil inclinado, com uma grelha que se estende por toda a largura da zona superior. Trata-se muito mais de uma homenagem ao estilo do modelo original do que de uma exigência técnica, até porque os motores elétricos precisam de um arrefecimento muito inferior ao de um motor de combustão.

As referências ao estilo do automóvel de 1962 são muitas e ultrapassam largamente a carroçaria em “Azul de França” e as duas faixas brancas paralelas que percorrem longitudinalmente o carro de ponta a ponta.

Começando pela frente, também muito vertical e equipada com faróis redondos, passando pela linha vertical do para-brisas e do pilar traseiro, até às estrias presentes no algarismo 8, que fazem parte do logótipo original. Menos provável será que os motores elétricos exibam o célebre “G” gravado nos propulsores preparados por Gordini.

As jantes dianteiras medem 19 polegadas e as traseiras 20 polegadas, uma solução que reforça visualmente a secção posterior do 8 Gordini Concept, de onde provém a força de propulsão. Não foi possível confirmar se os 270 cv resultam de um ou de dois motores: se for apenas um, estará montado sobre o eixo traseiro; sendo dois, estarão junto de cada roda desse eixo, tal como sucede no Alpine A390.

Viagem ao passado

Com exceção da abertura das portas através de um gatilho elétrico, todo o habitáculo remete para o passado. Os mostradores redondos, alinhados transversalmente no painel de bordo, são um dos exemplos, a par da faixa de alumínio escovado que ocupa toda a largura desse elemento. O mesmo metal surge nos diversos seletores da climatização e nos comandos da transmissão na consola central.

Tanto no centro dos bancos tipo baquet, com encostos de cabeça integrados, como no próprio painel de bordo, há revestimentos em veludo cotelê, outra evocação das décadas de 60 e 70. Já os painéis das portas recebem costuras que recordam as riscas vermelhas dos corretores dos circuitos de velocidade.

O Renault 8 Gordini Concept estará exposto a partir de hoje, 24 de setembro, no espaço Desfile, no coração dos Campos Elísios. Estas são as icónicas instalações da Renault na capital francesa e o espaço comercial que há mais tempo pertence à mesma empresa naquela histórica e exclusiva artéria da cidade.

Posteriormente, será apresentado a um público mais vasto no salão automóvel de Paris, a partir de 12 de outubro. A recetividade do público e da imprensa, neste segundo evento, poderá ajudar a determinar se se trata “apenas” de um exercício de estilo ou do prenúncio do regresso da submarca Gordini em versões mais desportivas dos modelos Renault, agora que a Alpine “ganhou asas”.

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Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

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