A McLaren finalmente construiu um monolugar capaz de vencer um campeonato, mas conta com uma dupla de pilotos, Oscar Piastri e Lando Norris, que aborda a sua arte de formas muito distintas. A pergunta é: qual dos dois tem mais probabilidades de conquistar o primeiro título de pilotos?
Oscar Piastri, o assassino cerebral da McLaren
Oscar Piastri é o assassino cerebral. Corre como se estivesse a resolver um quebra-cabeças complexo a cerca de 322 km/h. Metódico, sereno e preciso, comete pouquíssimos erros. Andrea Stella descreveu-o como alguém que não tem «ruído» na cabeça, implacável desde o apagar das luzes até à bandeira de xadrez.
Não festeja a vitória nem lamenta a derrota. A mãe conta que, certa vez, andavam ambos de bicicleta quando ela caiu por cima do guiador. Oscar usava um monitor de ritmo cardíaco e, ao chegarem a casa, viram que o valor tinha disparado quando ele assistiu à queda. «Afinal tens coração», disse-lhe ela. «Só que raramente o mostras!»
Oscar tem trabalhado metodicamente para eliminar as fragilidades da sua condução. A compreensão das particularidades de cada circuito, a gestão dos pneus e a desvantagem face a Lando na qualificação eram pontos vulneráveis na sua armadura... já não são. Agora conduz com tal autoridade que os outros pilotos reagem de forma diferente quando disputam posição com ele. Transmite confiança, e os adversários sentem-na.
Lando Norris: rapidez e autocrítica
Do outro lado está Lando: carismático, imprevisível e com qualidade de estrela. Não esconde o que sente. A sua rapidez é indiscutível, sobretudo na qualificação e, quando está em forma, consegue extrair magia do monolugar. A tendência para se criticar em público é um dos aspetos mais intrigantes da sua personalidade e distingue-o dos restantes pilotos, talvez com exceção de Charles Leclerc. Numa época em que os pilotos são frequentemente treinados ao extremo para lidar com os meios de comunicação, a abertura de Lando é refrescante e, por vezes, brutalmente honesta.
A sua autocrítica revela um elevado grau de autoconhecimento e sentido de responsabilidade. Quando Lando fica aquém das expectativas ou comete um erro de avaliação estratégica, raramente culpa a equipa ou as circunstâncias: assume a responsabilidade. Adoro esta abertura, que, desde logo, torna as entrevistas muito mais interessantes. É uma característica cativante, com a qual as pessoas se identificam, e que lhe conquista o respeito dos adeptos em todo o mundo. Revela também uma forte vontade interior de melhorar. Como Sebastian Vettel nos disse recentemente na Sky Sports, duvidar de si próprio é a coisa mais natural do mundo e, no entanto, falar sobre isso é a mais contrária à natureza.
Existe, porém, uma linha ténue entre a autoavaliação e a autoflagelação. Se exagerar, poderá abalar a própria confiança e enfraquecer a da equipa que o rodeia. A sua tendência para a introspeção pode ser um poderoso motor de evolução, mas também levanta dúvidas sobre a forma como Lando gere a pressão psicológica de competir ao mais alto nível. É algo que facilita a identificação com ele, mas que também o torna vulnerável.
A disputa pelo título de pilotos da McLaren
Temos, assim, um monolugar muito rápido, dois pilotos preparados para o maior palco e apenas um campeonato de pilotos em disputa. Zak Brown tem aqui um papel a desempenhar: gerir a rivalidade e, eventualmente, impor ordens de equipa. Isto porque há vários outros pilotos, incluindo Max, de olhos postos no quinto título mundial consecutivo, a somar pontos vitais enquanto os dois McLaren travam a sua própria luta. Façam as vossas apostas.






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