Saltar para o conteúdo
Notícias

Anvisa aprova cinco novos medicamentos com semaglutida no Brasil

Duas farmacêuticas em branco discutem um medicamento num balcão de farmácia com prateleiras ao fundo.
Neste artigo
  1. O que é a semaglutida?
  2. Os novos medicamentos já estarão disponíveis nas farmácias?
  3. O que muda para quem faz tratamento?
  4. Concorrência cresce após fim da patente
  5. São medicamentos genéricos?
  6. A expectativa é de maior acesso ao tratamento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registo de cinco novos medicamentos à base de semaglutida, aumentando o número de fabricantes habilitados a comercializar tratamentos para a diabetes tipo 2 e a obesidade no Brasil.

A decisão foi divulgada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (29) e constitui mais uma etapa na abertura deste mercado, após o fim da exclusividade da patente da substância no país.

Os medicamentos aprovados são:

  • Zempneo (Brainfarma);
  • Semavy (Cosmed);
  • Orsema (Ranbaxy);
  • Seemasun (Sun Farmacêutica);
  • Owozy (Ávita Care).

Todos obtiveram registo como soluções injectáveis de administração subcutânea, vendidas em canetas aplicadoras - um formato já familiar para os doentes que recorrem a este tipo de tratamento.

O que é a semaglutida?

A semaglutida integra a classe dos agonistas dos receptores GLP-1, medicamentos criados para auxiliar o controlo da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2.

Para além de melhorar o controlo do açúcar no sangue, a substância aumenta a sensação de saciedade e abranda o esvaziamento do estômago. Estes efeitos podem levar a uma menor ingestão de alimentos e, consequentemente, à perda de peso nos doentes com indicação médica.

Por esse motivo, tornou-se um dos medicamentos mais conhecidos dos últimos anos, sendo usada em tratamentos da obesidade e do excesso de peso associado a condições como hipertensão, diabetes e dislipidemia.

Os novos medicamentos já estarão disponíveis nas farmácias?

Ainda não. O registo atribuído pela Anvisa permite a comercialização dos produtos no Brasil, desde que sejam cumpridas todas as etapas necessárias para a sua entrada no mercado.

Até agora, as empresas não anunciaram datas oficiais de lançamento nem os preços que serão praticados. Também não foram especificadas as indicações aprovadas para cada um dos medicamentos.

Na prática, os doentes terão de aguardar pelo calendário definido pelos fabricantes para saberem quando estas novas opções chegarão ao mercado.

O que muda para quem faz tratamento?

A entrada de novos fabricantes poderá aumentar a oferta de medicamentos com semaglutida.

Nos últimos anos, a procura elevada causou períodos de falta de abastecimento em várias regiões do país e manteve os preços altos, devido à oferta limitada.

Com mais empresas autorizadas a fabricar medicamentos que contêm o mesmo princípio activo, espera-se que o mercado se torne progressivamente mais competitivo, favorecendo uma maior disponibilidade para os doentes.

Ainda assim, especialistas sublinham que qualquer efeito nos preços dependerá da estratégia comercial de cada laboratório e da rapidez com que os produtos forem colocados no mercado.

Concorrência cresce após fim da patente

A nova aprovação surge poucos meses depois de a Anvisa ter autorizado o Ozivy, o primeiro medicamento concorrente nacional de semaglutida registado após o termo da patente da Novo Nordisk no Brasil.

Desde então, várias empresas farmacêuticas começaram a investir em produtos com o mesmo princípio activo, intensificando a concorrência num segmento que movimenta milhares de milhões de reais em todo o mundo.

Segundo a entidade reguladora, os medicamentos com semaglutida são sujeitos a uma avaliação rigorosa, que abrange critérios de qualidade, eficácia, segurança, controlo de impurezas e potencial de resposta imunológica, devido à complexidade da molécula.

São medicamentos genéricos?

Não exactamente. Apesar de utilizarem o mesmo princípio activo, estes medicamentos seguem um processo regulamentar diferente daquele aplicado aos genéricos convencionais.

Uma vez que a semaglutida é considerada uma molécula complexa, os fabricantes têm de apresentar vários estudos que comprovem que os seus produtos apresentam qualidade, eficácia e segurança compatíveis com os medicamentos de referência.

Isto significa que a aprovação exige uma análise técnica mais aprofundada antes de ser concedida a autorização de comercialização.

A expectativa é de maior acesso ao tratamento

O aumento do número de fabricantes representa um avanço num mercado que cresceu rapidamente nos últimos anos, impulsionado tanto pelo aumento dos casos de obesidade como pela procura de tratamentos mais eficazes para a diabetes tipo 2.

Apesar das expectativas de maior concorrência e de uma eventual redução gradual dos preços, ainda não é possível determinar quando isso poderá acontecer. A evolução do mercado dependerá da disponibilidade dos novos medicamentos, da produção em grande escala e das estratégias comerciais adoptadas pelas empresas nos próximos meses.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário