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Canetas emagrecedoras associadas a menor risco de cancro colorretal

Paciente com cicatriz abdominal conversa com médico que segura seringa em consulta médica.
Neste artigo
  1. População com risco mais elevado
  2. Redução relevante dos casos de cancro colorretal
  3. O que poderá justificar este resultado?
  4. Resultado promissor, mas ainda preliminar

As canetas emagrecedoras, fármacos muito usados no tratamento da obesidade e da diabetes tipo 2, poderão ter uma vantagem adicional que despertou o interesse da comunidade científica. Uma investigação recente identificou uma associação entre a utilização dos denominados agonistas do recetor GLP-1 e um menor risco de cancro colorretal em pessoas com doença inflamatória intestinal.

O estudo foi apresentado no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), um dos mais relevantes encontros mundiais da especialidade, e avaliou doentes com maior vulnerabilidade para desenvolver este tipo de cancro.

População com risco mais elevado

A investigação incidiu sobre pessoas com doenças inflamatórias intestinais, incluindo doença de Crohn e colite ulcerosa. Estas patologias causam inflamação persistente no aparelho digestivo, um elemento que pode aumentar, ao longo dos anos, o risco de alterações nas células e, por consequência, de cancro colorretal.

Para avaliar a possível ligação entre estes medicamentos e o risco da doença, os cientistas recorreram a dados da plataforma TriNetX, que agrega informação de saúde de mais de 150 milhões de doentes.

Na base de dados, foram identificadas mais de 1,1 milhões de pessoas com doença inflamatória intestinal, das quais cerca de 70 mil utilizavam medicamentos pertencentes à classe dos agonistas de GLP-1.

Redução relevante dos casos de cancro colorretal

Depois de compararem doentes com características semelhantes, os investigadores verificaram diferenças significativas entre os dois grupos.

Ao longo de cinco anos, a incidência de cancro colorretal foi de 0,20% entre os utilizadores destes medicamentos, face a 0,43% entre quem não recorria à classe terapêutica. De acordo com os autores, os dados correspondem a uma redução de cerca de 51% na probabilidade de desenvolver o tumor.

Os resultados verificaram-se igualmente nos doentes que tinham, além de doença inflamatória intestinal, diabetes tipo 2. Neste grupo, a incidência de cancro colorretal foi de 0,31% nos utilizadores de agonistas de GLP-1, em comparação com 0,57% nos não utilizadores, o que equivale a uma redução de 46% no risco de diagnóstico.

O que poderá justificar este resultado?

Apesar de o estudo não ter sido concebido para determinar as causas desta associação, os investigadores avançam com algumas possibilidades.

Uma das hipóteses é a de que os medicamentos possam ajudar de forma indireta através da perda de peso, de um melhor controlo da glicose e da diminuição de processos inflamatórios no organismo. Estes aspetos estão frequentemente ligados a uma saúde metabólica mais favorável e podem ter influência no desenvolvimento de doenças crónicas.

Ainda assim, não se sabe qual poderá ser o mecanismo envolvido, nem se o benefício identificado resulta diretamente da ação dos medicamentos.

Resultado promissor, mas ainda preliminar

Apesar do entusiasmo suscitado pelas conclusões, os autores sublinham que se trata de um estudo observacional. Ou seja, identifica uma associação estatística, mas não permite demonstrar uma relação de causa e efeito.

Por outras palavras, os dados indicam que as pessoas que utilizavam agonistas de GLP-1 registaram menos casos de cancro colorretal, mas não permitem concluir que os medicamentos tenham sido responsáveis por essa diminuição.

Por esse motivo, os especialistas salientam a importância de novos estudos para confirmar estes resultados e esclarecer melhor os mecanismos envolvidos.

Enquanto não existirem provas mais robustas, as canetas emagrecedoras mantêm-se indicadas apenas para as condições aprovadas, como a obesidade e a diabetes tipo 2, sempre com acompanhamento médico.

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Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

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