Não quero, de todo, invadir demasiado o território da Natalie. Ela é informada e está profundamente envolvida no universo da F1. Eu limito-me a vê-la na televisão, em casa. Ainda assim, acho que chegou o momento de reavaliar Max Verstappen. Não o seu talento como piloto, nem o estilo incansável e intenso que deslumbra quem assiste e arrasa os colegas de equipa. Ao volante, é um génio, ao nível dos maiores de sempre. É um facto indiscutível e inegável. E adoro vê-lo arrancar - ou será inventar? - desempenho pela pura força de vontade.
Mas, enquanto pessoa, até agora tem sido, na maior parte do tempo, bastante difícil de gostar.
Max Verstappen: o temperamento e a forma de correr
Porquê? Para alguém que obviamente adora conduzir e competir, a postura de Max pode, em grande medida, ser definida como «um pouco rabugento». Não faria mal nenhum mostrar um pequeno sinal de positivismo. Depois há a forma como corre. O estilo de «nunca ceder um centímetro» pode ser divertido de ver e gerar um drama fantástico. Quando existe uma verdadeira luta roda a roda entre carros de capacidade semelhante, Max é simplesmente heroico.
No entanto, sempre que há uma desvantagem de desempenho e o Red Bull parece vulnerável, a tendência para empurrar os outros para fora da pista torna-se algo aborrecida e parece ligeiramente ridícula. Vêm à mente brinquedos e carrinhos de bebé.
A colisão com Russell no GP de Espanha foi um exemplo perfeito. A equipa à sua volta falou de parcialidade britânica, enquanto os meios de comunicação da F1 - talvez receosos de perder o acesso - recorriam a enigmas sobre um «erro de julgamento» e diziam não estar qualificados para comentar ou condenar, por nunca terem conduzido na F1. Mas qualquer pessoa com olhos na cara percebeu que Max embateu em Russell num acesso de irritação. Fosse holandesa, britânica ou de Marte.
Franz Hermann revela outro lado de Max Verstappen
Ainda assim, Max tem subitamente momentos em que parece ser um tipo absolutamente porreiro. Primeiro, depois do nascimento do seu primeiro filho e de todas as dúvidas sobre se isso o poderia abrandar, consegue uma extraordinária volta de pole position em Miami, diante de carros superiores. Apenas uma semana mais tarde, adopta o pseudónimo Franz Hermann num teste de um Ferrari 296 GT3 no antigo Nürburgring. E bate imediatamente o recorde da volta. Só para outro piloto habitual do ’Ring sugerir que não estava a usar o Balance of Performance correcto, tornando as voltas incomparáveis. Max, impassível, respondeu à publicação nas redes sociais com os factos e desejou boa sorte ao colega para o fim de semana. Frio. E brilhante.
Mais sinais de que é um ser humano genuinamente bom? Enquanto os restantes pilotos assistiam a uma sessão privada do filme de F1 antes do GP do Mónaco, Max optou por passar esse tempo com a família. «Não era um evento obrigatório», explicou. «E prefiro passar esse tempo privado em casa, sobretudo porque na Fórmula Um já se passa demasiado tempo longe de casa.» Eis um homem com as prioridades bem definidas.
Ainda não acreditam? Então considerem, por fim, que, enquanto os outros pilotos de F1 e os chefes de equipa se arranjavam para a estreia oficial do mesmo filme em Nova Iorque, Max voltou a exercer o direito de não comparecer. Franz Hermann regressou. Desta vez, para testar um Aston Martin Vantage GT3 em Spa-Francorchamps. Simplesmente adorável.






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