Não é preciso convencer os fãs de Daniel Ricciardo das suas qualidades. O adorável texugo-do-mel, sempre com um sorriso radiante, pendurou o fato de piloto e despediu-se da F1 após 13 anos. A julgar pelas reações nas redes sociais, poucos queriam vê-lo partir. A sua saída abrupta, depois da corrida de Singapura, não teve a despedida que a sua carreira merecia. Por isso, importa dizer agora o que devia ter sido dito então.
Daniel Ricciardo: gratidão e alegria na F1
Enquanto a carreira de alguns pilotos se define por números, Daniel trouxe algo diferente: alegria genuína e apreço inabalável pelo seu trabalho. Em Spa, em 2018, desistiu da corrida. Quando o entrevistei, comecei por lhe dizer que lamentava, ao que respondeu: “Não lamentes, o meu pior dia é melhor do que o melhor dia de muitas pessoas.” Mesmo nos momentos difíceis, reconhecia que continuava a viver o sonho de ser piloto.
A sua influência na F1 teve várias dimensões. Daniel tornou-se o rosto de Fórmula 1: A Emoção de um Grande Prémio, série que atraiu uma nova geração de fãs, um contributo de valor quase incalculável. Lembrou-nos que, no fundo, este é um espetáculo. Para muitos, ligar a televisão ao domingo à tarde e assistir ao Grande Prémio é uma forma de evasão; conduzir os carros deve, acima de tudo, ser divertido. A personalidade de Daniel é como um café expresso, que nos desperta para o que importa.
O espírito competitivo de Daniel Ricciardo
É o palhaço da turma que também acaba como melhor aluno, o brincalhão com doutoramento em ultrapassagens. Quando baixa a viseira, surge um competidor implacável, embora saibamos que o célebre sorriso continua lá. Quem esquece a mensagem de rádio na Hungria, depois de ultrapassar Ocon e Alonso de uma só vez, num circuito onde ultrapassar é supostamente difícil? “É assim que se faz, meninas”, disse. Raramente, se alguma vez, o ouvimos queixar-se ou manifestar frustração pelo rádio; em vez disso, mostrava gratidão, mesmo quando as coisas corriam mal.
O meu avô, que jogou hóquei pela Inglaterra e era golfista de handicap zero, disse-me que a pressão do desporto revela o verdadeiro caráter de uma pessoa. Não há onde esconder-se e Daniel, mesmo exposto a um escrutínio intenso, manteve a integridade e o bom humor, como mostrou ao despedir-se depois de Singapura. A especulação era intensa e as críticas à Red Bull generalizadas, mas ele nunca alimentou nenhuma delas: limitou-se a agradecer à equipa e aos fãs. Procurou ainda o seu sucessor, Liam Lawson, para lhe apertar a mão e desejar boa sorte.
Na F1, na televisão e na vida em geral, a autenticidade é tudo: os fãs detetam a falsidade num instante. Assim, quando as coisas deixaram de correr bem para Daniel, o importante foi sair com dignidade, em vez de forçar um sorriso. Seja qual for o seu próximo destino, a sua efervescência dar-lhe-á energia, tal como aconteceu com a F1 até agora. A nossa perda será o ganho de outros.






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