A Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) estima que a Ocean Race, competição de vela, gere um retorno anual de 30 milhões de euros, ou cerca de 390 milhões de euros entre 2028 e 2040, avançou o presidente da entidade, Luís Pedro Martins. A organização anunciou esta quarta-feira que o Porto receberá as partidas das edições de 2030, 2034 e 2038 da prova de circum-navegação, no âmbito de uma ligação que se prolongará até 2040.
Além da regata de volta ao mundo, a cidade acolherá uma corrida especial em 2028 e, ao longo dos próximos 13 anos, pelo menos mais seis eventos, incluindo a Ocean Race Europe.
O presidente da Ocean Race, Richard Brisius, afirmou: “O Porto e Portugal têm uma profunda identidade marítima, uma conexão poderosa com o Atlântico e um crescente e importante papel no desporto, ciência, inovação e a economia azul”.
Impacto económico da Ocean Race no Porto
Luís Pedro Martins explicou que o “impacto esperado em termos económicos, em termos de produto interno bruto, é de cerca de 30 milhões por ano”, entre 2028, ano da corrida especial com partida do Porto, e 2040, quando deverá terminar a ligação.
A entidade regional de turismo antecipa ainda cerca de 170 milhões de euros em impacto nos meios de comunicação social, a somar aos impactos indiretos.
Na terça-feira, a Assembleia Municipal do Porto aprovou a proposta para acolher a Ocean Race, que prevê a Kasa da Praia como sede, a criação de um Museu dos Oceanos e encargos de 22 milhões de euros. A CDU, o Livre e o BE votaram contra, enquanto o PS e o independente Fernando Cardoso se abstiveram.
Citado pela organização, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, declarou: “O Porto sempre foi moldado pela sua relação com o oceano. O Atlântico faz parte da nossa história e da nossa identidade, mas, cada vez mais, também faz parte do nosso futuro”.
A propósito do evento atraído para o Porto no ano passado, Luís Pedro Martins explicou que “a intenção foi que essa prova servisse para criar uma relação” e, posteriormente, demonstrar à Ocean Race que o destino tem capacidade para receber a competição.
O presidente da TPNP elogiou a “supermarca” que virá para a cidade e considerou que a colaboração com o Turismo de Portugal e a Câmara do Porto constituiu “o grupo perfeito para levar avante a candidatura”.
Entre os principais atrativos, além dos benefícios económicos e da promoção e comunicação do destino, estão a associação da marca à sustentabilidade, a possibilidade de captar mais turistas e a projeção internacional dos “140 quilómetros de costa atlântica”.
“Não teríamos, seguramente, o orçamento para poder pagar o que esses eventos nos permitem fazer quando são comunicados. Há aqui outro retorno, que é o nosso posicionamento, o nosso investimento, nestas áreas da ciência, mais ligadas à biologia marinha, e posicionar o Porto e Norte em mercados de alto rendimento, de longa distância”, assinalou.
A competição passa por cinco continentes, proporcionando igualmente uma “ativação de marca” do destino turístico em todos os locais por onde passar, para além de Portugal.
Luís Pedro Martins aponta o exemplo de Alicante, cidade espanhola que acolhe a próxima edição em 2027. Recorda que, em 15 anos de acolhimento, a prova gerou milhares de empregos e atraiu “mais de um milhão e 600 mil visitantes”, esperando para a região Norte um impacto “pelo menos similar”.
Partidas do Porto e percurso da Ocean Race
Em 2028, a marca Ocean Race estará associada a “uma prova que pretende ajudar a celebrar a Capital Mundial do Desporto, do Porto e Vila Nova de Gaia”. A corrida partirá do Porto e terminará na cidade, com ligação aos arquipélagos da Madeira e dos Açores.
O Porto será depois o palco das partidas da Ocean Race em vela em 2030, 2034 e 2038. A ligação à prova de circum-navegação estende-se até 2040 e inclui, além dessas partidas, pelo menos mais meia dúzia de eventos nos próximos 13 anos.
A Ocean Race realizou-se pela primeira vez em 1973. A próxima edição arranca a 17 de janeiro de 2027, em Alicante, que receberá a grande partida pela sexta vez.
Antes da partida do Porto, a competição voltará a passar por Portugal: a quarta etapa começará na Florida e terminará em Cascais, de onde sairá também a derradeira ligação, com chegada prevista a Amaala, na Arábia Saudita, junto ao mar Vermelho.
Anteriormente, Lisboa recebeu passagens da prova em três edições consecutivas: 2012, 2014 e 2017.
Porto, uma das capitais mundiais do mar
O presidente da Federação Portuguesa de Vela (FPV) considera que a vinda da Ocean Race para o Porto é uma oportunidade para dar projeção à modalidade e afirmar a cidade como uma das “grandes capitais mundiais do mar”.
“A partida da Ocean Race é um grande momento para a volta ao mundo e termos três partidas em Portugal vai dar uma visibilidade muito grande”, afirmou António Barros, salientando o alcance internacional da competição.
Portugal já tem experiência na Ocean Race através de velejadores que fizeram parte de equipas internacionais. Entre eles, António Barros destacou Mariana Lobato, vencedora da última etapa da prova, disputada em França.
“Não temos nenhuma equipa portuguesa”, referiu, recordando, contudo, que a Mirpuri Foundation já representou Portugal como equipa na Ocean Race, num projeto que entretanto terminou.
Embora possa surgir uma nova equipa portuguesa até 2030, António Barros entende que ainda é cedo para fazer previsões, tendo em conta o investimento elevado e a necessidade de encontrar patrocinadores capazes de sustentar um projeto desta dimensão.
Vencedora diz que é “incrível”
A velejadora portuguesa Mariana Lobato considera incrível que o Porto venha a receber três partidas da Ocean Race e admite estar a trabalhar na possibilidade de criar uma embarcação portuguesa para a prova de circum-navegação.
Mariana Lobato foi cocomandante da embarcação francesa United by the Ocean, liderada pelo francês Paul Meihat e vencedora da Ocean Race Atlantic. A velejadora acredita, porém, que poderá haver uma equipa portuguesa nas partidas do Porto.
“É possível, será o meu próximo objetivo, estou a trabalhar nesse objetivo, à procura de marcas portuguesas, parceiros portugueses, patrocinadores portugueses, para termos um projeto português, porque isso só faz sentido, não é? Já temos a base em Portugal, no Porto, e agora só falta ter uma equipa portuguesa, um barco português”, disse.






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