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Autódromo de Terramar: a história da oval centenária de Espanha

Carro de corrida vintage vermelho a acelerar numa pista curva de terra batida com campo e aldeia ao fundo.
Neste artigo
  1. O início do fim
  2. Convertido num campo militar
  3. Salvo pelas atividades agrícolas
  4. Novo recorde do circuito em 2012
  5. O dia em que conduzi na oval de Terramar
  6. O que se segue para o Autódromo de Terramar?

Quando se fala em circuitos ovais, é natural pensar de imediato nos norte-americanos Indianápolis, Daytona ou Talladega. Contudo, um dos ovais mais antigos do planeta encontra-se bem mais perto: em Espanha, a aproximadamente 40 km do centro de Barcelona.

Trata-se do Autódromo de Terramar, um complexo inaugurado há exatamente 100 anos, em 1923, que se tornou no primeiro circuito automóvel construído em Espanha.

À época, era o terceiro traçado criado na Europa e entrou para a história como a quarta pista mais antiga do mundo, apenas atrás de Brooklands (1907), Indianápolis (1909) e Monza (1921).

Foi no Autódromo de Sitges-Terramar, como também é conhecido, que se disputou o primeiro Grande Prémio de Espanha, em 1923. A vitória coube a Alberto Divo, ao volante de um Sunbeam. A sua construção demorou 300 dias e exigiu um investimento de quatro milhões de pesetas, um valor verdadeiramente avultado para a época.

O início do fim

Embora tenha aberto portas como uma referência para o automobilismo mundial, o Autódromo de Terramar, com 2,0 km de extensão, não conseguiu acompanhar a evolução acelerada do desporto automóvel e rapidamente começou a revelar-se ultrapassado.

Pouco tempo depois, os pilotos começaram a manifestar a sua insatisfação com a inclinação das curvas, que atinge os 60º. Além disso, criticavam as transições deficientemente concebidas entre as curvas e as retas, uma característica que colocava em risco a segurança de quem ali corria.

A situação era agravada pelos elevados custos da construção e pela fraca afluência de público às corridas, fatores que impediam o pagamento de prémios monetários aos vencedores. Tudo isto começou a prejudicar seriamente a reputação do circuito.

Este descontentamento generalizado marcou o princípio do declínio da pista espanhola, que deixou de receber provas apenas dois anos após a inauguração.

Convertido num campo militar

No início da década de 30, o oval de Terramar foi vendido a Edgar Morawitz, empresário e piloto checo que acumulou uma fortuna na edição de jornais e revistas e que foi também proprietário de uma gráfica em Praga.

O investimento de Morawitz no Autódromo de Terramar permitiu que as competições regressassem em 1932, através de uma prova do campeonato espanhol de motociclismo.

No entanto, o começo da Guerra Civil espanhola, em 1936, voltou a suspender toda a atividade no circuito. O espaço que recebera corridas de automóveis e motas passou então a servir como campo de instrução militar para soldados.

Salvo pelas atividades agrícolas

Por recear represálias do regime do general Francisco Franco, Morawitz, que se lhe opunha, viu-se obrigado a abandonar a gestão do Autódromo de Terramar. A sua saída abriu o período mais turbulento da história deste complexo. O circuito mudou de proprietário em várias ocasiões e acabaria por ser convertido numa exploração agrícola.

Ironicamente, foi precisamente a atividade agrícola, desenvolvida pela quinta Avimar, que ajudou a conservar o circuito. Foram instalados sistemas de irrigação, galinheiros, incubadoras e currais para porcos e novilhos, enquanto a propriedade recebia culturas de vinha e trigo. No local chegou ainda a funcionar uma fábrica de rações.

Novo recorde do circuito em 2012

Os registos apontam para 1955 como o ano da última corrida disputada no circuito oval. Ainda assim, o recorde da volta mais rápida é consideravelmente mais recente: foi fixado em 2012.

Isso só aconteceu graças à Audi e à Red Bull, que entregaram a Carlos Sainz, o conhecido piloto espanhol, um Audi R8 LMS. Apesar do estado degradado do piso, Sainz estabeleceu uma nova marca de 42,6s, alcançando uma velocidade média de 170 km/h.

O anterior recorde pertencia ao conde Zborowski, que, em 1923, percorreu os cerca de dois quilómetros do traçado em 45,8s, a uma velocidade média de 157,2 km/h. Veja o vídeo:

O dia em que conduzi na oval de Terramar

Não cheguei às velocidades de Carlos Sainz, mas tive a oportunidade de conduzir na oval de Terramar, durante uma apresentação organizada pela Peugeot. Apesar de conservar intactas as suas estruturas principais, o circuito revela hoje evidentes marcas da passagem do tempo.

O cimento apresenta fendas em vários pontos, há sulcos abertos pelas raízes na pista e, em muitos locais, a vegetação surge a «espreitar» através do asfalto. Estes elementos tornam a condução mais difícil, ao ponto de manter o automóvel em linha reta se tornar, por vezes, um verdadeiro desafio.

Ainda assim, pude acelerar um Peugeot 3008 Hybrid4 - com 300 cv de potência máxima combinada e 520 Nm de binário máximo - até aos 140 km/h, explorando também a inclinação extremamente acentuada das curvas, tão espetacular quanto intimidante.

Nas zonas mais altas das curvas, a inclinação é suficiente para nos «colocar em sentido». Vista de dentro do automóvel, ao volante, parece ser ainda mais pronunciada.

Infelizmente, só tive autorização para completar uma volta, mas bastou para que se tornasse numa das minhas melhores memórias ao volante de um automóvel. E, pelo menos para mim, foi também o suficiente para passar a integrar a história centenária do Autódromo de Sitges-Terramar.

O que se segue para o Autódromo de Terramar?

Já foram desenvolvidos diversos planos para devolver vida ao circuito oval de Terramar. Atualmente, pode ser visitado por turistas, embora não seja permitido conduzir no local por motivos de segurança, e os edifícios em redor acolhem vários eventos e apresentações.

Segundo consta, uma das propostas mais recentes prevê transformar o espaço numa espécie de parque temático dedicado ao motor e aos automóveis.

Independentemente do que vier a acontecer, uma certeza permanece: a oval de Terramar não pode ser deixada morrer. Afinal, é uma das pistas mais antigas do mundo e está repleta de história.

Fonte: Autòdrom Terramar

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Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

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