Saltar para o conteúdo
Notícias

Toyota no WEC: os desafios dos Hypercar em Portimão

Carro desportivo branco com detalhes vermelhos exposto num salão automóvel moderno.
Neste artigo
  1. Toyota no Campeonato do Mundo de Resistência
  2. Novo foco? A poupança
  3. Portimão, um circuito único na Europa
  4. Toyota, eletrificação e WEC

Toyota no Campeonato do Mundo de Resistência

Na sua 100.ª corrida no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), as 8 Horas de Portimão assumiram um significado especial para a Toyota. Fomos, por isso, perceber os desafios da equipa japonesa numa temporada em que os novos regulamentos dos Hypercar passaram a ocupar o “centro das atenções”.

Para isso, conversámos com dois dos principais responsáveis pelas operações da Toyota Gazoo Racing Europe no Mundial de Resistência: o diretor de equipa, Rob Leupen, e o diretor técnico, Pascal Vasselon.

Dos novos regulamentos à perspetiva sobre o circuito algarvio, sem esquecer os desafios que a equipa terá pela frente, os responsáveis da Toyota Gazoo Racing Europe “abriram-nos” parcialmente a porta para “espreitarmos” o universo do Campeonato do Mundo de Resistência.

Novo foco? A poupança

Razão Automóvel (RA) - Qual é a importância de competir para a Toyota?
Rob Leupen (RL) - É extremamente importante. Para nós, reúne vários fatores: formação, descoberta e teste de novas tecnologias e a projeção da marca Toyota.

RA - De que forma encaram os novos regulamentos? Veem-nos como um passo atrás?
RL - Para os engenheiros e para todos os apaixonados pelo desporto automóvel, qualquer novo regulamento representa um desafio. Na perspetiva dos custos, pode, de facto, ser um retrocesso. Porém, do ponto de vista da engenharia, após um ou dois anos sob novas regras, ficamos mais preparados para explorar novas tecnologias. Não se trata de criar um automóvel novo em cada temporada, mas de o otimizar, tal como o desempenho da própria equipa. Simultaneamente, analisamos outras soluções para o futuro, como o hidrogénio. Estamos também concentrados numa abordagem mais ‘consciente’ em matéria de custos, sem comprometer o elevado nível tecnológico, com carros mais competitivos num contexto igualmente competitivo. E, naturalmente, temos de preparar 2022 para a entrada de marcas como a Peugeot e a Ferrari; ou, na categoria LMDh, da Porsche e da Audi. Será um grande desafio e um grande campeonato, com grandes marcas a enfrentarem-se ao mais alto nível do desporto automóvel.

RA - Quanto ao desenvolvimento do carro, há um objetivo concreto a atingir entre o início e o final da temporada?
Pascal Vasselon (PV) - Os regulamentos “congelam” os carros, ou seja, os Hypercars ficam “congelados” durante cinco anos assim que são homologados. É importante sublinhar que esta categoria não favorece o desenvolvimento. Há alguma margem de evolução, por exemplo nas configurações do carro. Caso uma equipa enfrente problemas de fiabilidade, segurança ou performance, pode recorrer a “tokens” ou “fichas” para desenvolver o carro. No entanto, o pedido tem de ser analisado pela FIA. Já não estamos no cenário da LMP1, em que todas as equipas evoluíam continuamente. Hoje, sempre que pretendemos desenvolver o carro, precisamos de uma justificação forte e da aprovação da FIA. É uma dinâmica totalmente distinta.

RA - Consideram que os novos regulamentos podem ajudar a aproximar estes carros dos modelos convencionais? E poderá o consumidor beneficiar desta redução do fosso tecnológico?
RL - Sim, e já estamos a fazê-lo. Isso é visível através da tecnologia do TS050, da maior fiabilidade do sistema híbrido e da sua eficiência, aspetos que estão a chegar gradualmente aos carros de estrada. Um exemplo foi dado na mais recente Super Taikyu Series, no Japão, com um Corolla de motor de combustão alimentado a hidrogénio. É uma tecnologia que chega ao público por via do desporto automóvel e que pode beneficiar a sociedade e o ambiente. Por exemplo, já conseguimos baixar significativamente o consumo de combustível enquanto aumentámos a performance.

RA - Em campeonatos como o WEC, que exigem um forte espírito de equipa, é complicado gerir os egos dos pilotos?
RL - Para nós, é simples: quem não consegue integrar-se na equipa não pode competir. Todos têm de aceitar um compromisso: garantir que o carro que conduzem é o mais rápido em pista. Isto significa que, se tiverem um ego grande e pensarem apenas em si próprios, se não conseguirem colaborar com os colegas, irão “bloquear” a equipa, incluindo engenheiros e mecânicos. Portanto, entrar com a mentalidade de “eu sou a grande estrela, eu faço tudo sozinho” não resulta. É necessário saber partilhar.

Portimão, um circuito único na Europa

RA - Portimão é um dos poucos circuitos onde podem testar à noite. Há outra razão para virem até cá?
PV - Originalmente, vínhamos a Portimão porque o traçado era muito acidentado e funcionava como o “nosso” Sebring. Deslocávamo-nos cá apenas para testar a suspensão e o chassis. Além disso, era muito mais económico do que o circuito norte-americano. A pista foi entretanto repavimentada, mas continuamos a vir porque é um circuito interessante.

RA - E o facto de já terem estado em Portimão pode representar uma vantagem perante as outras equipas?
PV - É sempre algo positivo, porque já testámos na pista, mas não creio que constitua uma grande vantagem.

Toyota, eletrificação e WEC

RA - A Toyota já anunciou que o próximo passo será a eletrificação total. Isso quer dizer que, no futuro, veremos a Toyota deixar o WEC para entrar num campeonato exclusivamente elétrico?
RL - Não acredito que isso venha a acontecer. Quando falamos de carros totalmente elétricos, referimo-nos a um determinado contexto, geralmente urbano, no qual podemos utilizar um carro mais pequeno ou com uma autonomia mais reduzida. Penso que é necessária uma combinação de soluções: veículos 100% elétricos nas cidades e combustíveis convencionais em países ou zonas sem acesso a eletricidade ou hidrogénio, para veículos de grandes dimensões, como autocarros ou camiões. Não podemos concentrar-nos numa única tecnologia. Acredito que, no futuro, as cidades avancem cada vez mais para a eletrificação, que as zonas rurais apostem numa combinação de tecnologias e que apareçam novos tipos de combustíveis.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário