Saltar para o conteúdo
Notícias

Michel Platini recusa assumir a presidência do OM

Homem em reunião numa sala com vista para estádio de futebol, com cachecol, jornais e computador à frente.
Neste artigo
  1. Longoria afastado, Benatia reforçado e OM em transição
  2. Porque é que o nome de Platini continua a surgir no OM
  3. Platini pronuncia-se: uma recusa inequívoca
  4. Um passado complicado com as instituições do futebol
  5. Porque é que os grandes nomes raramente se sentem confortáveis em presidências de clubes
  6. O que realmente significa “presidente” no futebol europeu actual
  7. O que se segue para o OM e para Platini

10 regressos agitaram as águas.

O futuro da liderança do Olympique de Marseille tornou-se um tema quente em França, com Pablo Longoria afastado, Medhi Benatia reforçado e um nome colossal repetidamente lançado nos bastidores: Michel Platini. Durante alguns dias, alguns adeptos chegaram mesmo a imaginar o antigo presidente da UEFA a assumir funções no Vélodrome. Contudo, a realidade seguiu um caminho muito diferente.

Longoria afastado, Benatia reforçado e OM em transição

A intervenção de Frank McCourt redesenhou o organigrama do OM. Pablo Longoria, até então o influente presidente e rosto público do projecto, foi afastado do cargo, pagando por uma época turbulenta marcada pela desilusão desportiva e pela saída repentina do treinador Roberto De Zerbi.

A curto prazo, Alban Juster, anteriormente director-geral, recebeu a missão de assegurar a continuidade. Funciona como elo entre a era Longoria, agora em fim de ciclo, e o que vier a seguir. Em simultâneo, Medhi Benatia, que chegou a ponderar demitir-se das suas funções desportivas, acabou por ser confirmado e viu os seus poderes sobre as operações de futebol aumentados.

A proprietária do OM procura estabilidade no plano desportivo, embora a cadeira presidencial continue a ser a maior questão por resolver no clube.

Esta estratégia em duas frentes - continuidade nos bastidores enquanto se procura uma figura de referência a longo prazo - criou um vazio. E foi nesse espaço que um rumor conhecido voltou a ganhar força: o nome de Michel Platini.

Porque é que o nome de Platini continua a surgir no OM

Para muitos nos corredores de Marselha, Platini representa uma espécie de cenário de sonho. Vive em Cassis, a cerca de 30 quilómetros da cidade. A sua aura enquanto vencedor de três Bolas de Ouro, os anos passados na UEFA e o conhecimento profundo do futebol europeu alimentam essa imaginação.

O seu nome já tinha sido mencionado em anteriores transições de liderança no OM, depois das presidências de Vincent Labrune e Jacques-Henri Eyraud. Sempre que o clube pareceu sem rumo, a proximidade e disponibilidade de Platini transformaram-no num tema óbvio de conversa.

  • Residente local com dimensão mundial
  • Sem funções oficiais desde 2015
  • Vasta experiência política e desportiva no futebol

Para uma parte da massa adepta, a hipótese é aliciante: uma lenda francesa ao comando do clube mais apaixonado do país. Do ponto de vista da marca, é fácil compreender o apelo: patrocinadores, emissoras e públicos internacionais reconheceriam de imediato o rosto e o nome.

Platini pronuncia-se: uma recusa inequívoca

A especulação levou o próprio Platini a abordar o assunto. Numa entrevista dada esta semana à rádio francesa RMC, o antigo capitão da França respondeu directamente quando foi questionado sobre a possibilidade de assumir o OM. A resposta não deixou margem para interpretações.

Platini afirmou que não voltará a desempenhar funções institucionais no futebol - nem em clubes nem em organismos dirigentes.

Sublinhou que o tempo passou e que já não se sente atraído pela pressão da política do futebol. Aos 71 anos, não se identifica com as exigências diárias e as intrigas inerentes à gestão de um clube moderno, sobretudo de um tão escrutinado como o Marselha.

Das batalhas de bastidores à transmissão de conhecimento

Isto não significa que Platini pretenda cortar todos os laços com o jogo. Pelo contrário, sugeriu uma forma distinta de participação. Disse estar disponível para partilhar a sua visão do futebol com as gerações mais jovens, em especial com as crianças, num contexto em que a alegria de jogar prevaleça sobre interesses comerciais e políticos.

No plano físico, admite que o corpo já não acompanha: correr, desarmar e rematar tornaram-se tarefas difíceis. Mental e tacticamente, porém, garante que continua a ler o jogo com clareza. Esta vontade de transmitir conhecimentos está mais alinhada com clínicas de treino, academias ou projectos de consultoria dedicados à formação do que com cargos de administração ou presidência.

Um passado complicado com as instituições do futebol

A relutância de Platini também nasce da experiência difícil que viveu no topo da governação mundial do futebol. Suspenso do futebol em 2015, durante a era de Sepp Blatter, viu desaparecer a ambição de se tornar presidente da FIFA no meio de tempestades jurídicas e éticas. Recentemente, foi absolvido num processo de fraude que tinha ensombrado os seus últimos anos em funções.

O antigo líder da UEFA considera que foi abandonado pela Federação Francesa de Futebol e pelo Estado francês durante os seus problemas judiciais.

Reconheceu publicamente que já não mantém contacto com a FFF. A confiança nas principais instituições do futebol ficou profundamente abalada, e essa desconfiança estende-se agora à hipótese de liderar um projecto de clube de grande exposição. Na sua perspectiva, regressar a uma presidência significaria voltar ao mesmo universo político que hoje rejeita.

O que isto representa para a procura do OM

Para o OM, a posição categórica de Platini é simultaneamente um esclarecimento e um revés para os sonhadores. A administração tem agora de procurar noutro lugar um presidente de longo prazo capaz de equilibrar a supervisão financeira de McCourt, o projecto desportivo de Benatia e a pressão incessante dos adeptos.

Internamente, uma possibilidade passa por concentrar poder em torno de Benatia e Juster, construindo uma liderança mais colectiva sem um presidente de nome sonante. Externamente, o clube pode procurar um executivo orientado para os negócios, com ligações a fundos norte-americanos, capaz de conciliar a intensidade emocional de Marselha com uma estratégia económica mais controlada.

Cenário Vantagens Riscos
Antigo jogador icónico como presidente Credibilidade imediata, atenção mediática, entusiasmo dos adeptos Falta de competências modernas de gestão, exposição política
Executivo experiente vindo do exterior Estrutura profissional, confiança dos investidores Risco de afastamento da cultura local e dos adeptos
Promoção interna (eixo Juster/Benatia) Continuidade, conhecimento do actual plantel e das finanças Impacto simbólico limitado, pode não acalmar a insatisfação dos adeptos

Porque é que os grandes nomes raramente se sentem confortáveis em presidências de clubes

O episódio Platini evidencia uma tendência mais ampla. Muitas antigas estrelas hesitam em entrar em funções de liderança nos clubes. A presidência moderna exige literacia financeira, conhecimento jurídico, gestão mediática e negociação política permanente com agentes, ligas e patrocinadores.

Para ex-jogadores lendários, estas tarefas podem parecer muito distantes da alegria do futebol. A própria reputação também está em jogo. Uma presidência fracassada pode manchar uma imagem desportiva heroica construída ao longo de décadas. A relação entre risco e benefício parece frequentemente pouco atractiva quando comparada com funções mais discretas de consultoria ou representação.

No OM, o contexto é ainda mais exigente. O clube é um actor político na vida social de Marselha. Cada declaração, cada transferência e cada nomeação de treinador são analisados ao pormenor. Os presidentes são por vezes ídolos, por vezes bodes expiatórios, e raramente são deixados em paz.

O que realmente significa “presidente” no futebol europeu actual

No contexto francês, o título de presidente pode gerar confusão. Em muitos clubes, as áreas desportiva e financeira estão, na realidade, repartidas por vários intervenientes: um proprietário, um presidente, um director executivo e um director desportivo. O presidente torna-se frequentemente a face pública, em vez de ser quem toma todas as decisões.

Em Marselha, onde um multimilionário norte-americano detém o clube à distância, esta separação é particularmente forte. Qualquer presidente que entre terá de trabalhar com orçamentos definidos a partir de Boston, gerir expectativas de troféus numa liga dominada pelo PSG e apaziguar uma massa adepta impaciente.

O cargo tem menos de liderança romântica e mais de gestão de crises, comunicação e manutenção de um equilíbrio frágil entre ambição desportiva e realidade financeira.

Neste contexto, a resposta de Platini parece quase lógica. Depois de anos no topo da UEFA e de batalhas judiciais, prefere manter-se afastado destas zonas de pressão, concentrando-se em partilhar as suas ideias sobre futebol sem regressar ao fogo cruzado político.

O que se segue para o OM e para Platini

Para o OM, os próximos meses serão decisivos. O clube precisa de clarificar a sua cadeia de comando, tranquilizar os jogadores e preparar as próximas janelas de transferências com uma estratégia coerente. Os adeptos estarão atentos a sinais de um projecto duradouro, em vez de mais uma experiência de curta duração.

Para Platini, o próximo capítulo deverá ser mais discreto. Poderá aconselhar academias, apoiar programas de futebol de base ou participar em iniciativas de formação futebolística. Estas funções permitiriam manter a ligação ao jogo de que gosta, sem regressar ao espaço institucional que actualmente encara com desconfiança.

Para os adeptos que tentam antecipar o futuro, uma forma útil de o analisar é através de cenários. Se o OM nomear um executivo menos mediático, mas competente, o clube poderá estabilizar gradualmente, à custa de menor glamour. Se a administração apostar noutra personalidade de forte impacto, a montanha-russa poderá continuar, com picos de entusiasmo e vales profundos de crise.

Em ambos os casos, a hipótese Platini foi encerrada pelo próprio. A sua posição também serve de lembrete: em 2026, o poder real no futebol tende a estar menos nas mãos das lendas do passado do que nas dos investidores, estrategas e daqueles dispostos a viver permanentemente na linha de fogo.

Neste momento

Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário