“As pessoas têm pedido isto. Pediram especificamente carros não híbridos, carros com espaço para bagagem e uma autonomia razoável para viagens, sendo que o tamanho do carro tem sido importante, tal como custos de manutenção aceitáveis. Querem um carro que possam usar. E estou confiante de que, mesmo quando se tem muitas chaves de muitos carros, nove em cada 10 vezes escolher-se-á este”, afirma Dean Lanzante, sorridente, a propósito do seu novo supercarro 95-59.
Parece estar a descrever um veículo muito mais prosaico do que este punhal automóvel de 850bhp e 1.200 kg, para dois passageiros, com o condutor sentado ao centro, que é por si só uma profunda reformulação do já excecional McLaren 750S. Porém, no contexto do habitual trabalho da Lanzante, este é praticamente um supercarro com especificação de turismo. É a posição de condução central que lhe dá a magia, evocando o McLaren F1. E Lanzante tem uma ligação que vai muito além do casual com esse automóvel, por muito que o próprio Dean insista que o 95-59 não é uma versão “nova” de coisa alguma.
A herança McLaren F1 do Lanzante 95-59
A Lanzante Motorsport venceu as 24 Horas de Le Mans de 1995 com um McLaren F1 de número 59, numa altura em que Dean Lanzante, então com 21 anos, integrava a equipa do pai, Paul, como responsável pelo abastecimento. Daí a designação 95-59 do novo carro.
Fotografia: Jonny Fleetwood
Mais tarde, a empresa passou a assegurar a assistência e conservação dos McLaren F1 de estrada, antes de Paul e Dean dividirem o negócio. Dean seguiu então para uma sucessão de carros de competição convertidos para estrada e de projetos especiais, como o Pagani Zonda R legalizado para circular na via pública e o McLaren P1 GTR. O P1 HDK (high downforce kit, ou kit de elevada força descendente). Aquele Porsche 930 TAG Turbo com motor de F1? Lanzante. O P1 GTR de drift de 1.000bhp de Mad Mike Whiddett? Lanzante. O P1 Spider? Lanzante.
A equipa está inclusivamente a tentar perceber como homologar para estrada o RB17 da Red Bull. E o processo é mais complexo do que simplesmente instalar matrículas. Percebe-se a ideia: a Lanzante é o destino certo quando se pretende alterar radicalmente algo que vale mais do que toda a nossa existência.
Engenharia de uma configuração de três lugares
Como seria de esperar, o 95-59 não resulta de um trabalho improvisado com rede metálica e serra. A coluna de direção e a caixa dos pedais estão naturalmente alinhadas com a coluna vertebral, ao centro, mas isso obriga a deslocar o sistema AVAC para um dos lados. É preciso reposicionar a eletrónica e outros componentes, bem como substituir a caixa de direção. Recuar os dois passageiros para dentro da célula de carbono exige um novo depósito de combustível, que ainda assim tem de ser suficientemente grande para assegurar conveniência. Com mais de 70 litros, deverá garantir uma autonomia competente, mesmo quando se explora a potência.
Mas o cuidado com os pormenores está todo lá. As portas abrem para fora e o suficiente para que não seja necessário baixar demasiado a cabeça para entrar no estreito banco do condutor. Existem saliências no piso para apoiar os pés ao entrar e sair, e até a caixa de fusíveis foi colocada sob o banco do passageiro direito, para que um técnico não tenha de desmontar metade do carro para verificar algo simples.
As proporções do McLaren 750S continuam a marcar presença, mas o designer Paul Howse - também profundamente envolvido no desenho do McLaren P1 e do 720S original - aproximou ainda mais a carroçaria da célula de carbono, encurtando o carro e dando-lhe um perfil mais enérgico. Quase como se a célula de carbono central flutuasse num espaço próprio no interior da carroçaria.
Design, V8 e utilização quotidiana
A dianteira tem uma abertura ampla e uma expressão ameaçadora, definida por uma única linha que parte do para-choques dianteiro, sobe de forma acentuada junto à cava da roda dianteira e segue até ao para-choques traseiro. É agressivo, mas bem resolvido; familiar, mas simultaneamente distinto. Há pormenores por todo o lado: radiadores específicos permitem diferentes volumes, enquanto a posição central do banco gera, na traseira, uma perspetiva em que tudo parece descer do vidro dianteiro por uma espinha que termina no oval do escape em Inconel.
O V8 biturbo de 4,0 litros que alimenta esse sistema recebeu uma afinação relativamente moderada de 850bhp, favorável à fiabilidade e mais do que suficiente para um carro que deverá pesar menos do que o modelo doador. Tem a aura mitológica do supercarro de três lugares - aquela sensação adicional de exclusividade - sem as complicações. E esse é o ponto: Lanzante encara o 95-59 como um carro que se pode deixar à porta de um hotel ou num aeroporto sem preocupações, algo que proporciona uma experiência de condução específica sem as dores de cabeça associadas a uma máquina mais especializada e extrema. Algo que os clientes de Dean Lanzante realmente pediram.
15 minutos e 17 segundos
Isto significa que o 95-59 não nasceu do ego nem da expetativa, mas da pesquisa junto dos clientes. O tipo de pessoas com quem Dean trabalha já possui carros de estrada mais extremos e, provavelmente, também modelos de três lugares mais extremos. Por isso, no seu devido contexto, o 95-59 é efetivamente uma escolha mais óbvia, por mais absurdo que pareça para um carro com um preço de cerca de £1.3 milhões.
Serão produzidos apenas 59 exemplares, o que também faz dele um dos derivados McLaren mais raros. É um dia estranho quando algo assim começa a parecer sensato como automóvel de utilização diária, mas, tendo em conta a qualidade apresentada e as pessoas por detrás do projeto, não aposte contra a possibilidade de a Lanzante vender todos eles.






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