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Andy Wallace fala da velocidade do Bugatti Mistral

Homem com fato de corrida preto e laranja encostado num carro desportivo preto com detalhes laranja numa pista de corrida.
Neste artigo
  1. Top Gear: Andy, parabéns! Voltaste a ser o rei da velocidade. Não escolheste o melhor dia para o fazer. Que dificuldades traz o tempo quando está tanto frio?
  2. TG: Não tinhas os limpa-para-brisas ligados, pois não?
  3. TG: Quanto é que o ar agita o habitáculo do Bugatti Mistral? Deve ser como um autêntico tornado lá dentro, não?
  4. TG: Mas o ruído no interior era ensurdecedor?
  5. TG: Ouvi-te dizer há pouco que passar por baixo da ponte a meio da reta afeta a aerodinâmica do carro. É verdade?
  6. TG: Atingiste, claro, 304 milhas por hora na pista de testes da Volkswagen em Ehra-Lessien. Mas esse oval é consideravelmente mais comprido e tem uma reta maior. Quanto mais difícil é fazer uma passagem à velocidade máxima aqui, em Papenburg?
  7. TG: A que velocidade tens de sair da curva inclinada numa tentativa de velocidade máxima?
  8. TG: As 282 milhas por hora são o verdadeiro máximo do Mistral ou conseguiria ir mais depressa com mais espaço?

Top Gear: Andy, parabéns! Voltaste a ser o rei da velocidade. Não escolheste o melhor dia para o fazer. Que dificuldades traz o tempo quando está tanto frio?

Andy Wallace: «Obrigado! Na verdade, não fui eu que escolhi o dia e não sei porque é que alguém tentaria fazer isto em novembro. Durante as passagens, acumulam-se pequenas partículas no para-brisas - suponho que não seja chuva, mas sim humidade. E começamos a pensar: “Hmm, que aderência haverá?”»

TG: Não tinhas os limpa-para-brisas ligados, pois não?

AW: «Não, não os tinha ligados. Acho que, àquela velocidade, poderiam sair disparados pela traseira, embora tenha a certeza de que, sendo um Bugatti, isso foi testado.»

TG: Quanto é que o ar agita o habitáculo do Bugatti Mistral? Deve ser como um autêntico tornado lá dentro, não?

AW: «Seria de esperar, não seria? Mas, sinceramente, o meu capacete quase nem se mexe. Não entra muito ar no habitáculo. O que há é muito ruído provocado pelo ar. Quando não há tejadilho, ouvimos o ar a passar com força por cima do para-brisas, a circular em redor e atrás de nós, mas não há turbulência no interior. Fiquei mesmo surpreendido.»

«Fiz algumas passagens sem capacete, digamos a 300 km/h (186 milhas por hora), só para experimentar e… nada. Ia dizer que o meu cabelo nem esvoaçava, mas obviamente não tenho muito. Ainda assim, não há vento dentro do carro. É impressionante.»

TG: Mas o ruído no interior era ensurdecedor?

AW: «Em termos de ruído, aproxima-se disso. Àquela velocidade, está quase a ser ensurdecedor e provavelmente devia ter posto tampões nos ouvidos. Mas, no geral, o andamento é suave: zero vibrações. As rodas giram a toda a velocidade e tudo passa rapidamente por nós, mas não se sente o mínimo vestígio de vibração no volante. É incrível.»

TG: Ouvi-te dizer há pouco que passar por baixo da ponte a meio da reta afeta a aerodinâmica do carro. É verdade?

AW: «É uma ponte bastante larga. Atravessa a pista e é relativamente baixa. Faz-me lembrar aqueles limitadores de altura antes de entrar no túnel da Mancha, que me fazem sempre baixar a cabeça quando passo por baixo deles ao volante - o que será que aquilo vai fazer? A ponte não é tão baixa, mas, àquela velocidade, parece um pouco que é.»

«Passo por baixo dela a 427 km/h, bastante acima das 200 milhas por hora. E, assim que lá chego - agora já sei que vai acontecer, por isso estou preparado -, o carro desvia-se ligeiramente. Suponho que haja ali uma interação com todo o ar que passa por baixo da ponte.»

«Também não uso a faixa junto à barreira do lado esquerdo, porque há ali uma interação que provoca alguma instabilidade. Por isso, circulo na faixa seguinte. Há todas estas coisas a acontecer, mas já o fiz bastantes vezes e, desde que estejamos preparados para elas, não há problema.»

TG: Atingiste, claro, 304 milhas por hora na pista de testes da Volkswagen em Ehra-Lessien. Mas esse oval é consideravelmente mais comprido e tem uma reta maior. Quanto mais difícil é fazer uma passagem à velocidade máxima aqui, em Papenburg?

AW: «Sim, essa é precisamente a questão. Como dizes, em Ehra eram 8,8 km (5,5 milhas). E a inclinação da curva aqui não é tão acentuada. Por isso, tenho 4 km, ou 2,5 milhas, para usar e depois reduzir a velocidade [antes da curva].»

«Dito isto, o travão aerodinâmico e a própria resistência do carro ao avanço, no geral, permitiram-me travar bastante mais tarde neste [do que no Chiron]. Sei que vou um pouco mais devagar do que a 304 milhas por hora, pelo que é preciso um pouco menos de espaço para travar, mas, ainda assim, é necessário sair da curva inclinada bastante depressa.»

TG: A que velocidade tens de sair da curva inclinada numa tentativa de velocidade máxima?

AW: «Idealmente, o máximo na curva inclinada é 250 km/h (155 milhas por hora). Na verdade, eu entrava nela a cerca de 220 km/h. Não vale a pena ir mais depressa do que o necessário, por causa da carga que se impõe aos pneus.»

«Depois, assim que consigo ver a saída, aumento a velocidade até aos 250 km/h e, para ser sincero, acelerei [a fundo] bastante cedo. O carro sai certamente da curva inclinada a mais de 300 km/h. Depois é manter o acelerador a fundo. Quando a pista fica plana, puxa o carro para a esquerda, por isso é preciso ter muito cuidado para não tocar numa barreira.»

«A seguir, mudo para a faixa ao lado, continuo a fundo e a sensação é extraordinária. Mesmo indo a 300 km/h, ainda há uma aceleração considerável. Sente-se mesmo. Os números continuam a subir, mas, quando chegamos a dois terços da reta, ainda aumentam, embora um pouco mais devagar, e queremos que subam cada vez mais. Mas diria que é uma velocidade bastante respeitável: 282 milhas por hora sem tejadilho.»

TG: As 282 milhas por hora são o verdadeiro máximo do Mistral ou conseguiria ir mais depressa com mais espaço?

AW: «Foi um pouco como quando atingimos 304 milhas por hora em Ehra-Lessien: a velocidade ainda estava a subir. Não sei quanto mais conseguiria. A resistência [aerodinâmica] aumenta com o quadrado da velocidade e, por isso, acaba por se chegar à barreira da resistência do ar.»

«Não creio que, neste caso ou no do Chiron Super Sport 300+, tivéssemos atingido a velocidade máxima, mas estávamos bastante perto…»

2 minutos e 11 segundos

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Miguel Ângelo Figueiredo

Miguel Ângelo Figueiredo é treinador certificado de padel e consultor de gestão desportiva, com mais de uma década de experiência na organização de academias, torneios e experiências premium em clubes. Apaixonado pela evolução técnica dos jogadores e pela vertente social do padel, partilha no PadelTennisLounge conteúdos sobre treino, equipamento, bem-estar e a cultura lounge associada à modalidade.

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