Os automóveis elétricos e os dias de pista continuam a parecer uma combinação invulgar. Mas o que acontece quando se pega num Tesla Model 3 Performance - que já de série está longe de ser lento -, se reduz o seu peso e se acrescentam alguns componentes pensados para a pista? Foi exatamente isso que fez a EV Breakers, uma pequena empresa da Irlanda do Norte que desmonta automóveis elétricos para aproveitar as peças.
A equipa já participou com o carro em dias de pista informais e afirma que fica apenas um ou dois segundos atrás dos supercarros modernos concebidos especificamente para esse fim. Como decorreu a transformação e o que espera a empresa alcançar com o projeto? Falámos com Ciaran Murphy, um dos principais mecânicos da EV Breakers, para saber mais.
TG: Que alterações fizeram ao Tesla Model 3 Performance?
CM: Retirámos-lhe cerca de 100 kg e instalámos uma estrutura de proteção, um travão de mão hidráulico e uma suspensão de altura ajustável para melhorar a estabilidade. E… é praticamente tudo. De resto, é essencialmente um Model 3 Performance de série, com uma decoração exclusiva.
Os resultados em pista surpreenderam-vos?
Já tínhamos alguma experiência em ralis, mas achámos que, para já, seria mais simples concentrar este projeto no asfalto. Quando o levámos à pista pela primeira vez, surpreendeu-nos pela positiva perceber que não estávamos muito longe do ritmo de carros de competição preparados por profissionais, nos quais tinham sido investidos muito tempo, dinheiro e esforço. Sendo uma pequena empresa sem um orçamento exorbitante, estamos satisfeitos até agora. Isto mostra como é fácil transformar elétricos em carros de pista.
Surgiram problemas iniciais?
A principal questão é a tração. Não temos travagem regenerativa e, num carro tão pesado, isso significa depender exclusivamente dos travões sem assistência, que não foram concebidos para suportar sozinhos pressões extremas como as que existem em pista. Estamos a tentar encontrar uma forma de contornar o problema, mas, quando o conseguirmos, poderemos reduzir consideravelmente os tempos por volta.
Onde acreditam que ainda podem ganhar desempenho?
Sobretudo na redução de peso. Por exemplo, o carro ainda tem isolamento acústico, algo que é inteiramente retirado na maioria dos carros de rali.
Conhecemos também algumas empresas nos Estados Unidos que conseguem extrair mais potência dos motores através de alterações ao software. Atualmente, existem ainda conversões disponíveis no mercado que permitem obter mais potência dos controladores. São opções que iremos estudar depois de terminarmos os testes iniciais com o carro de série.
Qual é o objetivo final deste projeto?
Gostávamos de o aproximar gradualmente dos ralis, para mostrar às pessoas que é possível participar com um elétrico. Mas, acima de tudo, queremos ajudar a transmitir a ideia de que os elétricos podem ser divertidos e de que continua a ser possível levá-los à pista e desfrutar da experiência de condução. Estes carros, com toda a sua potência e binário, estão a ficar mais baratos todos os dias, pelo que um modelo como o nosso Model 3 Performance oferece atualmente uma excelente relação entre o que custa e o que proporciona.
Também mencionou um travão de mão hidráulico. Quão estranho é puxá-lo num elétrico?
É muito estranho, tendo em conta que a maioria dos elétricos tem travões de mão eletrónicos. Fazer uma curva com o travão de mão neste carro é uma sensação muito invulgar, mas já o testámos algumas vezes no nosso pátio e funciona mesmo.
Imagens: Phil Stewart Photography






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