António Simões, antigo internacional português e campeão europeu pelo Benfica, acredita que o diálogo e a tolerância podem ajudar a resolver a atual tensão entre Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Na sua opinião, o avançado mantém condições para ser importante na seleção, mas não deve assumir que terá sempre lugar no onze inicial ou que jogará os 90 minutos.
Esta terça-feira, aos 82 anos, Simões prestou declarações aos jornalistas à margem de uma iniciativa do movimento de benfiquistas UNUM. O antigo extremo, que fez parte da equipa portuguesa terceira classificada no Mundial de 1966, colocou em dúvida que Ronaldo conserve o peso desportivo que teve durante grande parte da carreira.
"Sinceramente, eu tenho dúvidas se é uma mais-valia. Ser uma mais-valia implica muito mais do que ser útil", afirmou.
Para Simões, compete ao treinador decidir como utilizar Cristiano Ronaldo, seja qual for o estatuto do futebolista. O antigo internacional considera natural que o avançado pretenda jogar, mas defende que terá igualmente de aceitar opções diferentes das que conheceu anteriormente.
"Se ele quer jogar, não é nenhum crime. Agora, ele também tem de perceber que pode não jogar tudo o que ele quer", acrescentou.
Simões não vê impacto da ausência de Cristiano Ronaldo
O antigo futebolista do Benfica invocou a recente exibição da seleção para sustentar que a equipa é capaz de responder bem mesmo sem Cristiano Ronaldo em campo.
"Quando olho para o jogo, não me parece que a equipa tenha tido o mínimo efeito. A equipa jogou bem e ganhou", observou.
Isso não quer dizer, na perspetiva de Simões, que Ronaldo tenha deixado de ser uma opção para Portugal. O essencial será a forma como Jorge Jesus poderá recorrer ao avançado.
"Diz que pode ser útil, mas já não sendo titular ou a jogar os 90 minutos", explicou. Recordou ainda que Ronaldo foi o jogador mais utilizado em minutos durante a passagem de Roberto Martínez pelo comando da seleção. "Não faz nenhum sentido", considerou.
Pedido de desculpas seria "uma grande lição de civismo"
A relação entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus está entre os assuntos que atualmente mais atenções despertam em torno da seleção portuguesa. António Simões defende que os dois procurem uma solução para o conflito e sugere que possam pedir desculpa um ao outro.
"Se Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo pedirem desculpas um ao outro, é uma grande lição de civismo que dão a Portugal", afirmou.
Na sua perspetiva, o estatuto de Ronaldo não o coloca acima das escolhas do selecionador. Simões entende que Jorge Jesus é livre de decidir quando utiliza o capitão e por quanto tempo.
"Jorge Jesus tem toda a legitimidade de pôr o Cristiano Ronaldo a aquecer por um minuto ou 30. É o treinador", sustentou.
"Porque é que o Cristiano tem de ter um tratamento especial?"
O antigo internacional português evocou a forma como aprendeu a relacionar-se com os jogadores mais velhos e com os treinadores para argumentar que Cristiano Ronaldo também tem de respeitar as regras da equipa.
"Eu aprendi e cresci a respeitar os meus colegas mais velhos e o treinador. Porque é que o Cristiano tem de ter um tratamento especial?", questionou.
Para reforçar a sua posição, Simões estabeleceu uma comparação com algumas das maiores figuras da história do futebol, recordando que partilhou o balneário com Eusébio e conviveu com outras lendas mundiais da modalidade.
"Eu joguei com um rei chamado Eusébio. Eu tive convivência com um rei chamado Pelé, Maradona e companhia. Nunca vi uma coisa destas à volta de um rei", afirmou.
António Simões defendeu também que Cristiano Ronaldo deve colocar definitivamente os interesses da seleção à frente das questões individuais. Para o antigo jogador, esse equilíbrio será importante para que o capitão português termine a carreira internacional de modo semelhante a Lionel Messi.
Na sua intervenção, Simões considerou que, durante parte do percurso pela seleção, Ronaldo pôs por vezes os interesses pessoais em primeiro lugar. "Tem de acabar com isso", afirmou, defendendo que o jogador procure terminar a ligação à seleção "da mesma forma que o Messi".






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