No mundo em constante evolução da F1 - hoje uma potência global de velocidade e relações públicas imaculadas - a morte de Eddie Jordan tem um impacto sísmico. Não por ainda estar no muro das boxes ou por comandar publicamente os fios no paddock (embora continuasse, sem dúvida, a fazê-lo discretamente - basta lembrar o acordo de Adrian Newey com a Aston), mas porque vozes como a dele estão a desaparecer.
Ruidoso, franco, sem polimento e inconfundivelmente humano, Eddie era o antídoto vivo da modalidade para este circo itinerante hipergerido e higienizado pelos patrocinadores.
Eddie Jordan, uma personalidade única na F1
Eddie Jordan não era apenas um chefe de equipa. Era uma verdadeira personagem e o melhor contador de histórias que alguma vez conheci. Era o tipo de homem que identificava talento à distância - Michael Schumacher, alguém? - e que, cinco minutos depois, ainda conseguia fazer uma piada com os mecânicos. Geria a sua equipa como uma banda de rock em digressão: carismática, caótica e cheia de coração. O seu ADN espalhou-se por toda a estrutura da equipa e mantém-se até hoje na sua actual encarnação - a Aston Martin - onde vários dos seus colaboradores leais continuam na folha salarial.
A F1 vive uma fase dourada, com milhões de novos adeptos a chegar, mas o reverso da medalha é que as grandes tecnológicas, o grande dinheiro e um controlo de imagem ainda maior varreram o desporto como uma tempestade de areia no deserto, a polir todas as superfícies. Corremos o risco de deixar de contar toda a verdade, por receio de desagradar aos chefes empresariais e às multidões das redes sociais.
Eddie nunca hesitava. Dizia aquilo que pensava, e não aquilo que julgava que teria melhor desempenho nas tendências. Tinha também um forte sentido do certo e do errado. Certa vez, soube que um chefe de equipa tinha sido rude comigo, por acreditar erradamente que eu fora a fonte de informações incorrectas sobre a sua equipa. Eddie entrou logo em cena e exigiu um pedido de desculpas imediato.
Eddie podia igualmente ser brusco, imprevisível e, por vezes, estar errado, mas era isso que o tornava genuíno - e a razão por que o adorávamos. Recordava-nos que a F1 não se resume a dados e à degradação dos pneus: trata-se de pessoas, egos, paixão, risco, triunfo e fracasso. Talvez tenha sido mais autêntico quando estava em casa, com a mulher Marie, os filhos e os netos.
O lado mais humano de Eddie Jordan
Ainda no último Natal, enviou um vídeo como cartão de Natal, no qual todos cantavam, dançavam e tocavam instrumentos musicais - era encantador. É revelador que Eddie estivesse mesmo no fundo, deixando os filhos e os netos ocuparem, à vez, o centro do palco.
À medida que o nosso desporto alcança novos e empolgantes patamares, não esqueçamos que personalidades como Eddie são insubstituíveis. A F1 continuará a tornar-se mais brilhante, maior e mais cativante, mas sem ele será um pouco menos louca e irreverente.
Nunca haverá outro Eddie Jordan - e isso é uma enorme perda numa altura em que o desporto precisa mais do que nunca de personalidades como ele.






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