O Ford Mustang GTD, a versão mais radical de sempre do Mustang homologada para a estrada, acaba de completar uma volta ao Nürburgring em 6m 57,6s, a uma velocidade média de 178 km/h. É assim o automóvel de produção americano mais rápido de sempre no Inferno Verde e apenas o sexto modelo de produção «normal» a percorrer o circuito em menos de sete minutos. Não há dúvida de que é rápido.
Ford Mustang GTD: tecnologia de competição para a estrada
Ao volante esteve o alemão Dirk Muller, piloto de renome que já venceu as 24 Horas de Nürburgring. O GTD aproveita numerosos elementos do programa Mustang GT3, entre os quais se destacam a aerodinâmica ativa, os travões carbocerâmicos, uma suspensão sofisticada e um novo compressor de grandes dimensões, cujo som agudo faz lembrar uma criança num baloiço a atingir uma inclinação de 90 graus.
Apesar do seu caráter extremamente focado, dos cintos de cinco pontos e da estrutura de proteção anticapotamento, o automóvel mantém as hastes dos indicadores de mudança de direção e os limpa-vidros. A ideia é que seja tão utilizável na Nordschleife como em Notting Hill, esbatendo com relativa facilidade a fronteira entre os dois ambientes, segundo Greg Goodall, engenheiro-chefe do programa.
Em declarações ao TopGear.com, explicou: “Estamos a pegar em tudo o que há de melhor na competição e a homologá-lo para a estrada. Usamos amortecedores adaptativos de válvula de carretel para nos mantermos colados à pista, mas a suspensão também permite escolher entre duas alturas ao solo e duas rigidezes de mola, pelo que pode ser afinada com a mesma facilidade para privilegiar o conforto.”
É pouco provável que o GTD ganhe concursos de beleza, mas Goodall afirma que essa foi precisamente a intenção: “A forma foi deliberadamente concebida para não ser bonita, de modo a maximizar a força descendente que obtivemos em pista.
“O GT3 e o GTD foram desenvolvidos em conjunto: sempre que um entrava no túnel de vento, aplicávamos imediatamente o que aprendíamos aos dois. Isso significa que todas as superfícies do GTD foram desenhadas para favorecer a aerodinâmica, como a pequena zona plana à frente dos faróis, que funciona essencialmente como um defletor aerodinâmico.
“Queríamos competir com os europeus e mostrar que temos capacidade e que levamos isto a sério, e o Nürburgring é uma forma evidente de o fazer. Fica no terreno deles, por isso, se queremos uma medida quantificável, é essa que temos de procurar. Este projeto tem agora pouco mais de três anos e foi esse o objetivo desde o primeiro dia.”
Dirk Muller ao volante do Ford Mustang GTD no Nürburgring
Depois da volta recorde, Muller também partilhou as suas impressões: “É único. Tem mostradores e pedais feitos especificamente para ele, o que torna evidente desde o início que é diferente do Dark Horse. Continua a ter os genes do Mustang, mas tudo o que podia ser desenvolvido e melhorado foi levado ao extremo.”
E como é conduzi-lo? Muller respondeu: “Acreditem ou não, nunca tive um momento de aflição enquanto puxava pelo carro. Dá-nos muita informação e os travões transmitem confiança, mas o que mais me impressionou foi o amortecimento adaptativo. Foi a primeira vez que o usei e parecia que conduzia sobre uma nuvem.”
Quanto ao motor, o piloto descreveu-o assim: “É raivoso, mas não assusta. Chamámos alguma atenção, não só pelo som da admissão de ar, mas também pelo ruído produzido pelo carro inteiro. A cada volta, vinha mais gente da rua para o ver - e isto num dia normal de trabalho!”
Devido ao mau tempo, Muller conseguiu fazer apenas três voltas com o GTD em quatro visitas, todas abaixo dos sete minutos. A Ford confirmou que tentará mais algumas em 2025. Conseguirá bater o tempo de 6m 49,3s do Porsche 911 GT3 RS?






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