A remuneração de Frederico Varandas, líder do Sporting, disparou 252% desde 2022. Já o Braga mantém fora dos holofotes os pagamentos feitos a cada administrador.
A administração do Sporting está no topo das remunerações, ao passo que a do F. C. Porto reduziu os encargos em 74,9% face a 2022, quando Pinto da Costa presidia ao clube. A distância é tal que Frederico Varandas recebeu, sozinho, mais do que a totalidade dos administradores portistas e quase tanto como toda a administração do Benfica. No futebol, o presidente pode assinar um contrato e descobrir que o novo trabalhador ganha muito mais do que ele próprio leva para casa.
Nas SAD, a hierarquia salarial surge quase sempre invertida: os jogadores podem deixar os seus dirigentes a muitos zeros de distância. Para Rui Costa e André Villas-Boas, a comparação é particularmente ingrata, pois ambos abdicaram de receber remuneração nas sociedades que lideram. Entre os vencimentos presidenciais divulgados pelas quatro SAD, Varandas destaca-se. No caso de António Salvador, as contas do Braga não permitem apurar o valor individual.
Em 2025/26, o presidente do Sporting recebeu 776.500 euros brutos, somando a componente fixa à variável. O valor representa mais 556 mil euros do que em 2021/22 e uma subida de 252,2%. Apenas no último exercício, cresceu 99,1%, quase duplicando. Seria um salto expressivo numa negociação contratual, mas os números pedem uma leitura para lá do marcador.
Do total de 776.500 euros, 300 mil dizem respeito à remuneração fixa e 476.500 à variável. Varandas recebeu mais 290 mil euros do que os 486.500 euros pagos a toda a administração do F. C. Porto e apenas menos 14.475 euros do que os 790.975 euros atribuídos ao conjunto dos administradores da Benfica SAD. Neste campo, o presidente leonino quase iguala, sozinho, toda a equipa da Luz.
Sporting e Braga são as duas sociedades com maiores encargos administrativos entre as quatro, mas diferem na informação sobre os pagamentos. O Sporting identifica os montantes individuais, separa salários de prémios e revela quanto podem valer os resultados.
Braga não divulga salários individuais
A administração do Braga recebeu 1.625.697 euros, uma subida de 140,9% face ao exercício anterior. Desse montante, 1.594.347 euros foram para a Comissão Executiva, que um ano antes tinha recebido 596.936 euros. Desde 2022, a remuneração deste órgão quase triplicou. O relatório, porém, não indica quanto coube a cada administrador nem distingue as componentes fixas das variáveis. O valor recebido por Salvador permanece, assim, dentro do balneário contabilístico.
No Dragão, a saída de Pinto da Costa trouxe um cenário diferente. A redução de 74,9% dos encargos com a administração em relação a 2022 ocorreu ao longo dessa mudança de liderança. Em 2022/23, o antigo presidente recebeu 1,152 milhões de euros, dos quais 480 mil euros eram gratificações. Atualmente, Villas-Boas prescinde do salário e os executivos abdicaram da remuneração variável no mandato de 2024-2027.
A presidência portista não deixa, contudo, de ter meios associados ao cargo: o relatório identifica seguro de saúde, telemóvel e viatura de serviço.
Ordenados sobem 50%
Também na Luz, Rui Costa escolheu não receber remuneração da SAD, mesmo após ter deixado de existir o impedimento estatutário. No conjunto, a administração custou mais 47,8% do que na época anterior. Benfica e F. C. Porto contemplam incentivos associados ao desempenho desportivo e financeiro, mas não divulgam uma tabela por conquista com o detalhe apresentado pelo Sporting.
Entre presidentes sem salário e prémios acumulados, a comparação das administrações continua a exigir trabalho. O Sporting apresenta os números com maior detalhe, enquanto o Braga deixa questões por responder. E os jogadores podem continuar a olhar para o presidente com uma vantagem pouco habitual nas empresas: o chefe tem mais poder, mas pode ganhar muito menos.
Quem decide os aumentos das administrações?
Os aumentos dos administradores são decididos pelos acionistas, habitualmente os respetivos clubes e outros acionistas, ou por comissões com competência para fixar salários. As regras variam, porém, entre as quatro SAD.
No F. C. Porto, cabe aos acionistas aprovar a política salarial e à Comissão de Vencimentos determinar os valores individuais. Para isso, são ponderadas as funções, a experiência, o desempenho e a situação financeira. Não existem aumentos automáticos associados à inflação. Os executivos abdicaram dos prémios durante o mandato de 2024-2027.
No Sporting, a Assembleia Geral aprova as remunerações e fixa anualmente os prémios, mediante proposta da Comissão de Acionistas. Existe uma tabela de incentivos por conquistas e progressão nas competições europeias. No Braga, os acionistas aprovam os salários da Comissão Executiva e as senhas dos administradores não executivos. O relatório não especifica critérios para aumentos nem fórmulas para prémios.
No Benfica, é necessário distinguir o clube da SAD: a Comissão de Remunerações determina os vencimentos da Direção do clube. Esta regra não esclarece quem decide os aumentos na sociedade.
Leão enche o cofre, dragão afunda no vermelho
O Sporting lidera o campeonato dos lucros e o F. C. Porto é o único no vermelho. Em 2025/26, os leões registaram um resultado líquido de 34,7 milhões de euros, superior em 74% ao da época anterior. Os dragões passaram de 41 milhões de lucro para um prejuízo consolidado de 21,1 milhões.
O Benfica ocupou o segundo lugar, com um lucro de 19,1 milhões, apesar de uma quebra de 44,5%. O Braga passou de perdas de quase 11 milhões para um ganho de 17,3 milhões, terminando a apenas 1,8 milhões das águias.
Em Alvalade, o volume de negócios chegou aos 300 milhões, incluindo 112,3 milhões de rendimentos provenientes de transações de jogadores. Na Luz, as contas foram travadas pela redução dos prémios da Liga dos Campeões e pela ausência das receitas do Mundial de Clubes.
No Dragão, os custos operacionais sem passes subiram 22%, para 180 milhões, ultrapassando os 150,3 milhões de proveitos equivalentes. Em Braga, o lucro deve ser lido com cautela: o passivo aumentou 43%, para 144 milhões. Ter lucro num exercício não significa que as contas estejam livres de pressão.






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